Tubarão Cobra

Considerado um verdadeiro fóssil vivo pelos cientistas - existem fósseis dessa espécie que datam cerca de 80 milhões de anos - o tubarão-cobra possui poucas alterações em relação aos seus ancestrais.

Existem poucos estudos sobre esse o tubarão-cobra, pois ele costuma viver em profundidades que ficam além do alcance humano. Entretanto, as raras informações coletadas por estudiosos no assunto revelam dados muito interessantes sobre o Chlamydoselachus anguineus.

 

Campeão de mergulho

Segundo o ictiologista (especialista em estudos sobre peixes) japonês Tadashi Kubota, o tubarão-cobra encontrado estava desorientado e doente, provavelmente por causa de alterações nas correntes marítimas. Essas alterações podem ter sido causadas pelo derretimento das geleiras, devido ao aquecimento global.
Normalmente, o tubarão-cobra vive em profundidades iguais ou superiores a 600 metros. Para termos uma idéia da dificuldade de acesso ao seu habitat, podemos lembrar que um mergulhador autônomo desce, no máximo, a 40 metros de profundidade.

 

Humanos fora de perigo

A forma do corpo de um tubarão cobra assemelha-se ao de uma enguia, mas a cabeça desse bicho, falando em termos de morfologia, é o que o coloca na família dos tubarões. Graças à presença das fendas branquiais e às ampolas de Lorenzini, os cientistas puderam classificá-lo como tubarão. Enquanto a maioria dos tubarões possuem cinco pares de brânquias, os tubarões-cobra possuem seis.

Assim como seus irmãos, o tubarão-cobra é um predador, mas não apresenta perigo para os seres humanos, apesar de seu tamanho poder chegar aos dois metros de comprimento.

Os estudos sobre esse animal revelaram características tão particulares que os especialistas criaram para o tubarão cobra um único gênero, chamado Chlamydoselachus.

Esse peixe possui a mandíbula longa e equipada com 300 dentes pontiagudos, distribuídos em 25 fileiras. Fazem parte de seu cardápio as lulas, peixes teleósteos (ósseos) e eventualmente tubarões menores.

 

Período de gestação do tubarão-cobra

Já era sabido que o tubarão cobra é ovovivíparo. Um estudo recente feito por Sho Tanaka, um biólogo da Universidade de Tokai, no Japão, mostra que o período de gestação do Chlamydoselachus anguineus dura três anos e meio, isto é, quase duas vezes o período de gestação de uma fêmea de elefante africano (22 meses).

Em seu trabalho, Sho Tanaka examinou 264 tubarões-cobra. Os animais não demonstraram uma estação reprodutiva, o que significa que podem se reproduzir em qualquer época do ano. Isso pode ter sido uma adaptação relacionada com o longo período de gestação, segundo o cientista.

Outro dado interessante revelado pelo estudo de Tanaka é que o tubarão-cobra produz o menor número de filhotes, dentre as espécies de sua ordem (a Hexanxiformes). O tubarão-cobra produz uma média de seis filhotes a cada gestação.

 

Sobrevivência

O tubarão-cobra encontra-se ameaçado de extinção devido à ação humana. Seu valor comercial é baixo, mas por vezes esse animal fica preso nas redes de pesca e morre. Sua demora em produzir filhotes não pode competir com a demanda da indústria pesqueira. Além disso, o aquecimento global é outro fator que contribui para sua extinção.

O Chlamydoselachus anguineus enfrentou 80 milhões de anos de mudanças no planeta Terra, mas parece não poder resistir à ação do homem.