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Informações e cuidados básicos.
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Acidentes Ofídicos

Segundo dados do Ministério da Saúde, os acidentes ofídicos, ou ofidismo (quadro de envenenamento de um ser humano, decorrente da inoculação de toxinas por meio das presas de uma serpente) vem aumentando ano a ano no Brasil. Apesar do índice de letalidade (taxa de óbitos entre as pessoas picadas) ser baixo no Brasil, de aproximadamente 0,5%, em 2005 foram registrados 28.561 acidentes com serpentes venenosas, causando 113 óbitos (quase sempre por atendimento tardio), e elevada freqüência de seqüelas.
Na Região Norte os acidentes ocorrem uniformemente o ano todo. Nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o número de acidentes aumenta de setembro a março. Na Região Nordeste os acidentes aumentam entre janeiro e maio.

Cerca de 40% dos acidentes envolvem serpentes não peçonhentas. As serpentes peçonhentas que mais causam acidentes são as Jararacas, seguidas das Cascavéis, Surucucus e Corais. Mesmo serpentes mortas há horas, e até cabeças decapitadas de serpentes podem, por reflexo, picar e injetar veneno.
Índices de acidentes, segundo o gênero da serpente agressora:
  87,5% Botrópicos (do gênero Bothrops, como as jararacas),
    9,2% Crotálicos (do gênero Crotalus, como as cascavéis),
    2,7% Laquéticos (do gênero Lachesis, como as surucucus)
    0,6% Elapídicos (do gênero Micrurus, como as corais verdadeiras).
Como a maioria das serpentes peçonhentas brasileiras é de porte médio, as picadas atingem geralmente pés e pernas (70% dos acidentes notificados), seguidos de mãos e antebraços (13%).

Cuidados com o Ambiente para a Prevenção de Acidentes

1. Evitar o acúmulo de lixo e vegetais podres em quintais, plantações e terrenos. Eles atraem ratos, e ratos atraem cobras.
2. Evitar desmatamentos e queimadas, que podem provocar mudanças nos hábitos dos animais, fazendo com que busquem refúgio em celeiros, paióis, e casas.

Cuidados Pessoais para a Prevenção de Acidentes

1. Ao ir a campo, use calça comprida e botas (ou botinas e perneiras de couro) de modo que pés e pernas fiquem protegidos até os joelhos, e antes de calçar as botas, verificar se não há cobras, aranhas ou escorpiões escondidos dentro delas.
2. Ao ir a campo, procure se manter na trilha e preste atenção ao chão, sobretudo ao amanhecer ou anoitecer, quando as serpentes venenosas estão mais ativas.
3. Ao manipular lenha, folhas secas, palha e entulho, use luvas de raspas de couro.
4. Ao trabalhar com colheita manual, use proteção de couro para os braços além de luvas.
5. Ao se aproximar de buracos, troncos caídos, montes de folhas ou entulho, tome cuidado.
6. Ao remexer palhadas ou vasculhar buracos, ocos de tronco, tocas, vãos de pedras, cupinzeiros, etc, utilize sempre um pedaço de pau.

Atitude Recomendada em Caso de Acidente

1. Mantenha a calma, pois a maioria dos acidentes ofídicos não mata nem mesmo quando a vítima não recebe tratamento.
2. Tome nota da hora da picada, pois o tempo decorrido entre o acidente e o aparecimento dos sintomas é fundamental para avaliar a gravidade do caso e orientar o tratamento. Quando se trata de cobra coral, esse dado serve para distinguir a coral verdadeira da falsa.
3. Repare na ponta da cauda da serpente, e nas cores e desenhos de sua pele.
4. Anote também as características do local do acidente: floresta, areia, rochas expostas, etc...
5. Informe todos esses dados à pessoa que lhe prestar socorro, para que ela faça o relato ao médico se você desmaiar.
6. Não faça torniquete, não tente sugar o veneno, e tampouco corte, fure ou esprema o local da mordida. Não passe produto algum e não coloque nada sobre o local da picada. Lave o local da picada com bastante água, ou com água e sabão.
7. Se possível, não se movimente. Retire artefatos que possam ficar presos ao corpo, se o membro picado inchar (anéis, pulseiras, etc). A pessoa picada deve permanecer deitada, aquecida, e com a região picada elevada.
8. Procure beber água para se manter hidratado. Não beba álcool ou qualquer outro líquido tóxico. Se sentir muita dor, tome um analgésico à base de dipirona. Não tome calmante.
9. Deve-se usar maca, rede ou algo do gênero para transportar a pessoa picada até o veículo que a levará o mais cedo possível até o hospital mais próximo (o ideal é receber tratamento nas primeiras 6 horas após o acidente, e quanto mais cedo melhor).
 

Diagnóstico

Ao chegar ao posto médico, relate ao médico todos os dados relacionado ao acidente. A região da mordida será lavada.
A primeira preocupação será diagnosticar o tipo de serpente responsável pelo acidente, e avaliar a intensidade do envenenamento.
O médico decide qual soro deve ser ministrado com base em critérios clínicos e epidemiológicos. É difícil distinguir entre picada de jararaca e surucucu, pois as reações locais e sistêmicas são parecidas.
O médico faz um exame cuidadoso para verificar as alterações no local da picada e as condições sistêmicas ou gerais do paciente.

Alterações no local da picada

Jararaca e surucucu provocam manifestações graves e progressivas no local da picada: dor imediata no local da picada, estendendo-se para todo o membro nas horas seguintes, depois inflamação, inchaço, hemorragia, e tardiamente manchas roxas e bolhas na pele, podendo eventualmente ocorrer infecção e necrose (morte e apodrecimento da pele) na região da picada. As complicações possíveis são abscesso, síndrome compartimental, e gangrena. Filhote de jararaca pode não provocar manifestações locais, ou provocar apenas sangramento, pois seu veneno tem ação predominantemente coagulante.

A mordida de serpentes dos gêneros Philodryas, Clelia e Boiruna, que pertencem à família Colubridae, não provoca alterações sistêmicas no paciente, mas provoca manifestações locais semelhantes às dos acidentes com jararacas e surucucus.

A cascavel só deixa a marca de suas bem desenvolvidas presas no local da picada, que pode inflamar um pouco.

A coral deixa escoriações e uma pequena marca de seus dentes no local da picada, que não inflama nem dói.

Alterações sistêmicas no paciente

Nas primeiras 6 horas o veneno da jararaca e da surucucu pode causar náusea, vômito, sudorese e hipotermia. A surucucu (Lachesis muta) tem neurotoxicidade maior que a jararaca, provocando também tontura, diarréia, vômito constante, cólica abdominal e bradicardia (batida lenta do coração). Depois de 6 horas, dependendo da quantidade de veneno injetada, pode causar hemorragias, principalmente na gengiva e em ferimentos pré-existentes, no tubo digestivo e nos rins, coagulação intravascular disseminada, hipotensão, oligúria e anúria. Tardiamente pode provocar choque (queda da pressão arterial) e insuficiência renal (dificuldade para urinar). Em fase avançada, o veneno de ambas pode matar por insuficiência renal aguda.

A mordida da cascavel (Crotalus durissus) é seguida de náuseas e vômitos, boca sêca, sudorese, sonolência, fraqueza, e dor muscular generalizada. O veneno é miotóxico (ataca os músculos). Nas primeiras 6 horas aparecem dificuldade de abrir as pálpebras, visão dupla, turva ou embaçada, dificuldade de movimentação dos membros, dificuldade de respirar, dificuldade para urinar, e urina avermelhada. De 6 a 12 horas após o acidente a urina fica castanho escura. Em fase avançada, pode matar por insuficiência renal aguda, e em casos raros por insuficiência respiratória aguda.

O veneno da coral é basicamente neurotóxico (impede a transmissão do sinal nervoso aos músculos). Muito potente, provoca paralisia muscular em minutos. A picada é seguida de náuseas, vômitos, sudorese, falta de ar, visão turva ou embaçada, e dificuldade de abrir as pálpebras e de respirar. Depois a saliva fica espessa, e ocorre dificuldade para engolir. Pode matar por insuficiência respiratória aguda. Devido ao pequeno porte dessa serpente, geralmente pouco veneno é inoculado.

Tratamento

Feita a avaliação, o médico decide se será necessária a aplicação de soro. Em caso positivo, define o tipo de soro antiofídico a ser administrado ao paciente, pois ele deve ser específico para o gênero da serpente envolvida no acidente.
 

Se a serpente for coral e em pouco tempo não surgirem sintomas clínicos de envenenamento, trata-se da falsa coral, e portanto a aplicação do soro antiofídico deve ser descartada (o paciente só deve ficar algum tempo em observação).

Caracterizado o envenenamento, o paciente muitas vezes recebe anti-histamínicos e corticóides para prevenir reações imunológicas adversas, antes mesmo de receber o soro específico por via intravenosa. Dependendo da gravidade do caso, a dose de soro varia entre 4 e 12 ampolas de 10 ml.
Para manter o paciente hidratado e reduzir o risco de insuficiência renal, o médico pode utilizar soro glicofisiológico por via intravenosa. Quando necessário, o médico pode adotar medidas preventivas contra o tétano. Ocorrendo infecção, ela pode ser tratada com antibióticos.
Se houver necrose, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remover os tecidos necrosados. Em caso de insuficiência renal aguda já instalada, pode ser necessário recorrer à diálise.
Em acidente causado por coral ou cascavel, ocorrem paralisias. Nesses casos o médico pode prescrever medicações para tratar esses distúrbios neurológicos.

As reações do paciente durante a soroterapia devem ser cuidadosamente observadas, pois frequentemente ocorrem reações de hipersensibilidade (no momento da administração do soro ou até um dia após), que precisam ser controladas com vários medicamentos simpatomiméticos, como a adrenalina.

A soroterapia geralmente é bem sucedida, mesmo quando administrada de 6 a 12 horas depois da picada, mas não deve ser feita por leigos porquê frequentemente os pacientes apresentam importantes reações adversas à inoculação dos soros.

  • Acidentes por Animais Peçonhentos: Serpentes Peçonhentas
    Azevedo-Marques, M. M; Cupo, P.; Hering, S. E., Medicina, Ribeirão Preto, 2003
  • Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes Ofídicos
    Amaral, C. F. S.; et al, FUNASA
  • Site do Instituto Butantan - Museu Biológico
     
  • Site do Ministério da Saúde

 


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